O cinema perdeu um dos seus maiores diretores. Tendo lançado 14 dos seus filmes em DVD no Brasil, a Versátil presta uma homenagem ao mestre sueco.
O cineasta sueco Ingmar Bergman nasceu em 14 de julho de 1918, em Upsala, na Suécia. Filho de pastor luterano, teve educação das mais rígidas. Porém, isto não o impediu de ter duas paixões - o teatro e o cinema. Em 1941, Kaspers död, uma peça de Bergman, foi encenada. O sucesso do espetáculo abriu as portas do cinema para o jovem dramaturgo. Inicialmente, trabalhou como revisor de roteiros. Em 1944, ao invés de entregar um roteiro corrigido, Bergman entregou roteiro de sua autoria ao diretor Alf Sjöberg, que ficou encantado com a qualidade do texto. O filme A Tortura do Desejo foi bem recebido pela crítica. O caminho estava aberto para Bergman dirigir seus próprios filmes. No ano seguinte, ele começou sua jornada atrás das câmeras, dirigindo Crise. A partir daí, Bergman dirigiu, em média, um filme por ano. Desde seus primeiros filmes, o diretor praticou um cinema de sondagem psicológica. Mas, a maturidade artística de Bergman aconteceu mesmo na década de 50. Nesse período, Bergman realizou três obras-primas - Noites de Circo, O Sétimo Selo e Morangos Silvestres. Esses filmes consolidaram a reputação internacional do diretor. Críticos do mundo inteiro foram unânimes em apontar Bergman como um dos mestres da arte cinematográfica.
A década de 60 foi outra fase de ouro para o cineasta. Os filmes dessa época são os mais experimentais de sua carreira. E, talvez por isso, sejam suas obras mais fascinantes. Destacam-se O Silêncio, A Hora do Lobo e, sobretudo, Persona.
Em 1971, Bergman foi convidado a trabalhar nos Estados Unidos. A Hora do Amor foi o resultado nada animador dessa empreitada. De volta à Suécia, Bergman não parou. O talento do diretor parecia não ter fim. Novas obras-primas seguiram - Gritos e Sussuros, Cenas de um Casamento e Sonata de Outono. Os anos 80 mal começavam quando Bergman anunciou sua aposentadoria do cinema. Fanny & Alexandre foi a primeira despedida desse genial artista. Até o final da década de 90, ele se dedicou ao teatro e à televisão, onde finalizou alguns longas-metragens, como o elogiado Um Mundo de Luz e Sombras, exibido no Festival de Cannes.
Em 2003, para felicidade de sua legião de fãs, Bergman decidiu voltar ao cinema, dirigindo Saraband, uma espécie de continuação de Cenas de um Casamento. Todos esperamos que este não seja o último filme deste grande gênio da sétima arte.