Olá, seja bem-vindo São Paulo, 7 de Setembro de 2010.
































Biografia
No dia seguinte à morte de Ingmar Bergman, o cinema perdeu outro de seus grandes mestres: o italiano Michelangelo Antonioni. A Versátil presta sua homenagem ao cineasta do silêncio

O cinema moderno não seria o mesmo sem o olhar único de Michelangelo Antonioni, um dos mestres absolutos da Sétima Arte. Antonioni nasceu em 29 de setembro de 1912, na cidade de Ferrara (Itália). Pertencente a uma família de classe média, teve uma juventude tranqüila. Em Bolonha, enquanto cursava a faculdade de Economia e Comércio, pintava e escrevia críticas cinematográficas para o jornal da região. Em 1939, mudou-se para Roma, onde colaborou com a Cinema, célebre revista que reuniu grandes nomes do vindouro movimento neo-realista, como Roberto Rosselini, Federico Fellini, Carlo Lizzani, Giuseppe de Santis e Luchino Visconti. Paralelamente, estudou direção na Escola de Cinema.

Em 1943, realizou um dos filmes precursores do neo-realismo - Gente Del Po, documentário sobre uma das regiões mais miseráveis da Itália. Até o final dos anos 1940, fez diversos documentários e curtas-metragens, seguindo à risca os preceitos do Neo-realismo, então no auge da notoriedade internacional graças às obras-primas Roma, Cidade Aberta (1945), Ladrões de Bicicleta (1948) e A Terra Treme (1948).

Em 1950, realizou seu primeiro longa-metragem de ficção: Crimes d'Alma, em que já começava a se dissociar gradualmente do Neo-realismo, com um cinema de cunho intimista e, sobretudo, existencialista à luz da filosofia de Jean-Paul Sartre. Com seus últimos trabalhos realizados nessa década, As Amigas (1956) e O Grito (1957), rompeu de vez com a estética neo-realista.

Os anos 1960 marcaram o apogeu criativo de Antonioni. Logo no início da década, o cineasta criou um dos pilares do cinema moderno - a "trilogia da incomunicabilidade" formada pelas obras-primas A Aventura (1960), A Noite (1961) e O Eclipse (1962). Nesses filmes, fez do silêncio personagem para demonstrar a solidão e a dificuldade de se comunicar do homem contemporâneo. A visão existencialista do diretor foi traduzida, brilhantemente, em linguagem cinematográfica. Esses filmes tornaram-se marcos culturais da época, conquistando elogios calorosos da crítica e inúmeros prêmios, como Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim (A Noite) e o Prêmio Especial do Júri do Festival International du Film de Cannes (A Aventura e O Eclipse)

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O tema da incomunicabilidade foi aprofundando ainda em Deserto Vermelho (1964), que sucedeu a trilogia. Com belíssima fotografia em cores de Carlo Di Palma, o longa-metragem recebeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza (Biennale). Dois anos depois, Antonioni foi filmar na Inglaterra um dos cult-movies dos anos 60: Blow Up, que no Brasil recebeu o terrível subtítulo Depois daquele Beijo. Refletindo sobre o papel preponderante do olhar mecânico (a câmera fotográfica do protagonista) na sociedade atual, o cineasta realizou uma obra que captou a efervescência da "swinging London". No elenco, interpretações marcantes de Vanessa Redgrave e David Hemmings.

Com o enorme sucesso de Blow Up (que chegou a ser indicado ao Oscar de melhor direção e roteiro adaptado), Antonioni recebeu um convite para trabalhar nos Estados Unidos. Em 1970, realizou o polêmico Zabriskie Point, sobre os movimentos radicais estudantis. Injustamente, o filme foi um tremendo fracasso. Em 1975, filmou O Passageiro: Profissão Repórter, uma de suas maiores obras-primas. O mal estar do homem contemporâneo retratado por Antonioni chegava ao limite, fazendo com que o protagonista, Jack Nicholson em desempenho brilhante, mudasse de identidade e de vida. O longo plano-seqüência do final é uma verdadeira lição de cinema.

No início dos anos 80, realizou dois longas-metragens - Identificação de uma Mulher (1982) e O Mistério de Oberwald (1981), que não tiveram o mesmo sucesso de crítica e de público que os seus filmes anteriores. Em 1983, o cineasta sofreu um grave derrame cerebral que prejudicou muito sua capacidade de falar e de se locomover.

Durante todo o restante dos anos 80, pensou-se que Antonioni nunca mais iria retornar ao cinema. Mas, graças ao auxílio da esposa e de sua força de vontade, conseguiu voltar a filmar em 1995, com o belo Além das Nuvens. O filme foi co-dirigido pelo cineasta alemão Wim Wenders. Nesse mesmo ano, Antonioni foi aplaudido de pé, ao receber o Oscar honorário por sua carreira.



Prêmios
Michelangelo Antonioni (1912 - 2007) na Versátil

Identificação de uma Mulher

O Mistério de Oberwald

O Deserto Vermelho

A Noite

A Dama sem Camélias

Os Vencidos





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